Noemi Jaffe – 10/8/2018

“Eu ensino o silêncio em todas as línguas”, diz um poema de Wislawa Szymborska (lê-se Vishuava Schimborska). E esse verso figura em um marcador de páginas da Escrevedeira, escola de escrita coordenada por Noemi Jaffe, para quem a “literatura parte de uma falta, de uma carência do autor”.

O silêncio de Szymborska, a carência de Jaffe são convite para o acolhimento da voz do outro num tempo de tagarelices e gritarias. Deixar-se afetar e colecionar marcas é o que nos forma (às vezes deforma, mas sempre transforma). Para deixar sua voz sair pelos mais de dez livros escritos, Noemi Jaffe se inunda da palavra do outro para forjar a sua. E sua palavra está sempre em revolta, buscando o espanto na palavra cotidiana, pisada pela rotina. Por isso palavra em revolta. Como diz um de seus inúmeros tweets: “revolta é novo giro. vou girar milhões de vezes”.

Ela também fala, em uma entrevista à revista Época, que cegos não são os deficientes visuais, mas “todos aqueles que são incapazes de enxergar as atrocidades cometidas diante de seus olhos”. Se falamos neste Litercultura em lugar de escuta, poderíamos pensar: e quem são os surdos?

Com vocês, Noemi Jaffe.

Após a palestra, o bate papo terá mediação de Julie Fank, que nasceu em Cascavel e vive em Curitiba desde 2014, quando fundou a Esc. Escola de Escrita, na qual atua como diretora e professora. É licenciada em Letras, possui mestrado em Literatura Comparada e é doutoranda em Escrita Criativa pela PUC-RS. Já atuou no mercado editorial e hoje passeia mais ativamente pelas Artes Plásticas e pela Literatura. Cemitério de Azulejos, seu primeiro livro-instalação, participou de mostras em 2015 e 2016, e, em 2017, o livro Embaraço saiu pela Contravento Editorial.

Fotos Gilson Camargo

Litercultura – Festival Literário de Curitiba 2018
Apoio: Itaú Cultural
Patrocínio:
 Colégio Medianeira
Co-patrocínio: Marcelo Almeida Cultura
Apoio Institucional: Esc – Escola de Escrita, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura de Curitiba