Litercultura: a conversa entre leitura, cinema e história

Litercultura - Curitiba, agosto 2015

A organizadora do Litercultura, Manoela Leão, abriu a terceira edição do evento na noite de sexta-feira, dia 28 de agosto e convidou para o palco da Sociedade Garibaldi o autor e cineasta argentino Alan Pauls para a sessão de abertura, mediada pelo professor e tradutor Christian Schwartz.

Litercultura - Curitiba, agosto 2015

A relação de Pauls com a chamada sétima arte começou em sua família, com um pai apaixonado por cinema e muitos irmãos atores – todos, segundo o autor que não soube dizer porque todos atuavam, algo que ele acredita ter relação com o que ele chamou de cultura da informalidade de Buenos Aires, onde cresceu.

O argentino estava em casa em nosso festival, e disse sem temor que era um ‘doble impostor’ enquanto atuava, interpretou personagens no cinema, a exemplo de seu papel no filme Medianeras, não tanto por se considerar talentoso mas porque diretores acreditaram que daria certo, a despeito de seu receio (tolo) de arruinar o filme. Pauls disse não ter distanciamento o suficiente de seu romance O Passado para o levar ao cinema, disse não saber porque Hector Babenco gostou tanto do livro a ponto de o adaptar para a tela, obra que segundo Pauls fica entre algo que poderia chegar ao mainstream – com a escolha de Gael Garcia Bernal para protagonista Rimini apontando nessa direção – ou ficar como um projeto particular de Babenco, a quem chamou de um diretor muito passional.

Litercultura - Curitiba, agosto 2015

A segunda mesa de sexta-feira também foi uma conversa descontraída. A antropóloga Lilia Schwarcz, uma das convidadas, brincou e pediu permissão ao mediador Manuel da Costa Pinto para falar ressignificação, palavra ‘proibida’ no livro Brasil: uma Biografia, escrito em conjunto com a historiadora Heloisa Starling, lançado no evento. Ambas têm a prática da escrita acadêmica e comentaram que durante a redação do livro tiveram de cuidar com a linguagem, que deveria ser essencialmente narrativa e atingir um público amplo.

Esta narrativa escrita por Schwarcz e Starling apresenta o Brasil como um personagem complexo e contraditório, com momentos gloriosos e também muito violento consigo. As autoras retrataram personagens anônimos, a exemplo do alfaiate João de Deus, envolvido na conjuração baiana que saiu a rua vestido como um jacobino da revolução francesa, ou Zeferina, integrante do quilombo do Urubu, que recebeu tropas com flechadas. Em meio aos documentos históricos e ao livros usados na pesquisa, Schwarcz e Starling descobriram acontecimentos inéditos para si e também para outros setores do Brasil, que segundo elas desconhece partes de sua história.

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Por meio das conversas proporcionadas pelo Litercultura, que trouxe Pauls, Schwarcz e Starling à Curitiba para falarem de suas obras, o público dispõe de mais interpretações para criar e moldar seu repertório cultural. Literatura, história, cinema e música estão unidos em nosso festival.

Fotos: Gilson Camargo