Igiaba Scego discutiu questões como pertencimento, identidade e imigração no último dia do Litercultura 2019

…uma de suas obsessões é o colonialismo europeu, que permeia sua literatura, pesquisa e militância. Só mais tarde, depois de passar a infância olhando os mapas da África – cujos territórios “pareciam fatias de bolo de tão bem delineados” – foi entender que tudo era fruto da divisão colonial. A Itália colonizadora vende a imagem de que os italianos brava gente não eram malvados como franceses, ingleses, portugueses. É preciso desmistificar o clichê. Italianos bombardearam países como a Líbia com armas químicas, fato pouco destacado na história italiana. O livro Roma negata: percorsi postcoloniali nella città (Roma negada: percursos pós-coloniais na cidade, sem tradução no Brasil), feito por ela com Rino Bianchi, mapeou toda a cidade de Roma, e percebeu que a África colonial está presente com muitos traços. O livro conta a história cultural da influência africana, com uma reação interessante dos italianos, que compreenderam aspectos da cidade nunca compreendidos antes. Scego deixa claro que não fez o livro pra culpar os italianos, mas para que o passado não se repita.

(Por Cezar Tridapalli)

Juan Cárdenas, uma das vozes jovens mais ativas da literatura latino americana, participou do quarto dia do Litercultura 2019

“É impossível retornar, a ideia do retorno é uma ficção, assim como a origem”. Estas foram as palavras iniciais do escritor colombiano Juan Cárdenas, que conversou com o público do Litercultura 2019 na quarta noite do evento. Sua conferência, mediada pela professora Isabel Jasinski, partiu da inescapável reelaboração que ficcionaliza a ideia de retorno e de origem. Embora o mito do retorno dê segurança, crie chão, ele não contém uma possibilidade real. Cárdenas pensa a literatura como alegoria. Uma conversa do dia a dia já carrega em si elaboração ficcional, que deixa de ser o simples relato de fatos, pois existe aí um processo de transformação em cada narrativa, mesmo sem intenção literária. Há uma espécie de fantasma, feito de memórias editadas e inventadas. Também por isso, a onda de autoficção na literatura, que ele considera uma “moda”, tem em suas premissas a capacidade de matar a criação literária, que é sempre invenção, fantasia.

(Por Cezar Tridapalli)

Destaque da literatura brasileira, Bernardo Carvalho foi o convidado do terceiro dia do Litercultura 2019

O tema da identidade passa a ser o foco da fala do autor. Somos idênticos a alguém? “A identidade é algo a ser combatido nos meus livros, é um véu que encobre a verdade, uma verdade dura de encarar e que não tem nome, é incognoscível”. E algo que não tem nome é o contrário da identidade. Desde que começou a fazer literatura já perseguia essa ideia de destruir a noção de identidade, embora tenha sido enfático ao reconhecer o quanto as lutas identitárias foram e são importantes para darem vez, voz e reconhecimento a grupos historicamente oprimidos. Artisticamente, no entanto, prefere ver na identidade uma porosidade intercambiável e em constante mudança, jamais um pertencimento estável. Não interessa a Carvalho o que se tem em comum com os outros, mas a singularidade. A identidade não significa pertencimento perene, é algo movente o tempo todo: “não é porque alguém usa perna de pau que será igual a todos que usam perna de pau”, exemplifica.

(por Cezar Tridapalli)

Leonardo Padura foi o convidado do segundo dia do Litercultura 2019

Com todas as restrições vindas tanto de fora, o que gera problemas graves a Cuba, quanto de dentro, Padura, como escritor universal e que poderia habitar qualquer lugar do planeta, é perguntado a respeito de sua escolha por continuar morando em Cuba: “deve ser um direito inalienável cada um poder viver onde queira. Tenho a felicidade de poder escolher, e escolho Cuba, desde sempre”. O autor não foge à descrição das dificuldades que sempre enfrentou por causa de sua escolha, sobretudo as carências materiais, até mesmo de papel para escrever. Por outro lado, algo precioso nunca lhe faltou: tempo, “e um escritor precisa de tempo. Escrevo como louco para não ficar louco”. “Tenho o mesmo carro há 23 anos e não posso sequer pensar em comprar um novo porque custa o mesmo que uma nave espacial: uns 300 mil dólares. Além disso, sou o maior traficante de iogurte da história”, conta, fazendo humor com os fatos.

(Por Cezar Tridapalli)

Patrícia Campos Mello abriu a mesa do Litercultura 2019

Entre as questões que mais chocaram a escritora, bem como grande parte do mundo, está a foto de Alan Kurdi, menino sírio morto numa travessia migratória: teria sido esta imagem o gatilho definitivo que a fez investigar a história da família em Kobane. Eis cenário, personagens e conflitos que compuseram a trajetória de Campos Mello para a escrita do livro. A foto do menino gerou um debate mundial a respeito dos limites sensíveis entre o que pode ser visto como sensacionalismo e, por outro lado, como um despertador da letargia. “Qual a fronteira do suportável?” “O respeito às pessoas. Antes de ser jornalista, sim, somos pessoas. Nesse sentido, como falar de isenção jornalística?”

(Por Cezar Tridapalli)

Litercultura 2019 – Fotos do encerramento do Festival

Bate papo e sessão de autógrafos com Igiaba Scego (Itália). Escritora e jornalista romana de origem somali, formada em literatura estrangeira na Universidade La Sapienza, em Roma.
Como autora, ganhou vários prêmios e participou de inúmeros eventos, incluindo o Festival de Literatura de Mântua, que a hospedou em 2006 e da Flip em Paraty.
No Brasil, temos Minha casa é onde estou e Caminhando contra o vento. Mediação de Maria Célia Martirani.
Mediação de Isabel Jasinski.

Na programação integrada: Na programação integrada, no pátio da Capela Santa Maria: André Abujamra – Show as 9 faces do Sr. Abu: uma viagem musical pelo mundo de um dos maiores artistas brasileiros.

Fotos de Gilson Camargo, Ale Foggiatto.

Litercultura 2019 – Fotos do quarto dia do Festival

Quem participou do bate papo e sessão de autógrafos foi Juan Cárdenas (Colômbia). Tradutor e escritor, inédito no Brasil, premiado em 2014 por sua obra Los estratos (prêmio Otras Voces, Otros Ámbitos). Sua obra mais recente, El diablo de las províncias, “volta a questionar os mantras de uma civilização homogeneizada.
Mediação de Isabel Jasinski.

Na programação integrada teve Literatura de Refúgio – poemas de várias nacionalidades feitos e lidos por alunos de Português como Língua Estrangeira do Projeto de Extensão da UFPR, o PBMIH (Português Brasileiro para a Migração Humanitária).

Música com: Ninoska Pottella (voz) e André Machado (violão) – repertório de música da Venezuela.

Fotos de Gilson Camargo, Ale Foggiatto e Juliana Biancato.

Litercultura 2019 – Fotos do terceiro dia do Festival

Quem participou do bate papo e sessão de autógrafos foi o grande autor Bernardo Carvalho, com mediação de Manuel da Costa Pinto. ⠀

Na programação integrada, no pátio da Capela:

“Nosso amor de trincheira, nosso trânsito de fronteira”. Guilherme Gontijo Flores e Ricardo Pozzo leram poemas da poeta alemã Uljana Wolf. ⠀

Jazz Flamenco com MGM Duo – formado por Murillo Da Rós e Mazzar Mazzarolo. Fusão de dois universos distintos: o Flamenco e a Musica Brasileira.

Fotos de Gilson Camargo, Ale Foggiatto e Juliana Biancato.

Litercultura 2019 – Fotos do segundo dia do Festival

Mostra de curtas-metragens e apresentação de Duo de Viola de 10 cordas, com Rogério e Victor Gulin, na programação integrada, que aconteceu no Patio da Capela Santa Maria.

Bate papo literário e sessão de autógrafos com o romancista cubano Leonardo Padura e mediação de Mariana Sanches.

Fotos de Ale Foggiatto, Gilson Camargo e Juliana Biancato.